Notícias do momento...
Já é o terceiro dia que o Lu está sem usar fraldas descartáveis. Ufa!!! É um sufoco mas ele está melhorando, devagarinho... Hoje, mais uma vez, não consegui contato com o seu pediatra. Ele é muito bom, mas em termos de acesso...
Bom, recapitulando...
O Lucas saiu da UTI depois de três dias e ficou mais dois no quarto. Conversando com o neurologista, falei sobre como tinha sido os últimos dias e das minhas suspeitas.
Ocorre que sempre que o Lucas estava em meio a folia, ficava muito agitado. Se divertia bastante mas ao mesmo tempo eu via em seu olhar que aquilo era demais para ele. Sempre pedi aos nossos parentes que diminuissem um pouco o ritmo por causa dele, mas sempre me criticavam dizendo:
- Imagina, ele está se divertindo. Deixa ele!!
E continuavam fazendo muita algazarra. Naquele final de ano tinha sido demais foi um aniversário atrás do outro, sem contar com as comemorações de natal e virada de ano, foi um dia na casa de um, outro na casa de outro...
Eu suspeitei que ele havia passado mal por conta de seu estado emocional e o neurologista me confirmou que isso pode acontecer.
A partir de então sempre que estamos em alguma festa ou lugar barulhento, saímos um pouco com ele para descansar.
Nossa vida depois seguiu sem muitas novidades. Ficamos o feriado em Sampa mesmo. Em março ele voltou para a escola. E eu estava terminando de escrever o meu livro, mas sem fazer idéia de quando iria publicá-lo.
Enquanto isso ele começou a reclamar mais e mais de dores na cabeça e também do lado do pescoço, bem onde passa a sonda de derivação. Nisso, sempre que fazíamos uma Tomografia de Crânio(TC) o resultado vinha com sugestão de hiperdrenagem. Eu cobrava uma explicação e ele sempre falava que a válvula que o Lucas usava era assim mesmo, que era normal esse resultado.
O tempo foi passando e no final de julho, seu neurocirurgião pediu um ultrasson da região do pescoço. No resultado ele viu que a pele estava segurando a sonda, fazendo com que ela ficasse esticada e por isso sentia dores. Precisa então ser operado para trocar aquela válvula. Como podem imaginar, foi horrível mais uma notícia de cirurgia. Conversamos bastante e decidimos deixar o Lu com uma válvula externa para saber se ele agüentava ficar sem. conversei muito com o médico antes, cheguei ao ponto de falar pra ele que se alguma coisa desse errada, eu não queria intervenção maior (falava de manter meu filho vivo através de aparelhos).
Essa válvula externa funciona assim: uma ponta da válvula fica no ventrículo e sai um caninho(sonda) pra fora da cabeça que termina em uma bolsa transparente, onde é retido o líquor que vai sendo drenado. Nesse caninho tem um outro que fica em um aparelho que eles chamam de PIC (não sei se é assim que se escreve) e também tem um regulador por onde você fecha a válvula pra que ela pare de drenar e abre se for necessário.
A válvula iria ficar fechada e a PIC iria medir a pressão em sua cabeça, caso a pressão aumentasse eles abririam a válvula para diminuir a pressão.
O tempo de internação era indeterminado. Caso ele precisasse de válvula mesmo em no máximo dois dias saberíamos, mas caso fosse agüentando ficar com a válvula fechada iríamos ficar mais tempo, para ter certeza de que ele ficaria bem. O risco de infecção era grande pois havia uma abertura para as bactérias. Temia muito por isso.
Nessa foto abaixo dá pra ver um caninho transparente que sai do meio da cabeça.
Nessa foto ele tinha acabado de chegar do Centro Cirúrgico eram por volta de 23:30. Uma auxiliar nos aconselhou ir para casa descansar. Pensamos mesmo que ele iria dormir a noite toda e sabíamos que os próximos dias não seriam fáceis, então fomos para casa da minha sogra que fica próximo ao hospital.
As 4:00 da madrugada acordamos com o telefone tocando. Era da UTI, tomamos um susto, mas ligaram porquê ele estava chorando e pedindo o papai e a mamãe. Pegamos um táxi e fomos para o hospital. Ele estava inquieto, mas também né... segundo o médico plantonista ele estava bem com a válvula fechada. Pouco tempo depois ele dormiu de novo. Pela manhã o Fabio foi trabalhar, pois não conseguiu ser dispensado.
O Lu acordou de manhã, não se alimentou pois iria fazer uma TC. Por volta de 09:00 horas, ele foi fazer o exame para controle, na sala ninguém me falou nada, disseram que o resultado seria encaminhado para a UTI logo que estivesse pronto.
Subimos e quando ele acordou tentamos alimentá-lo, mais ele rejeitou e estava muito inquieto. Como sempre, eu perguntava se estava tudo bem e o médico de plantão seguindo as informações que a PIC mostrava dizia que não tinha pressão. Falei pro médico que ele estava com dor e ele abriu a válvula. Saiu pouco líquido e clarinho o que significava que estava sem infecção.
- Está vendo Antônia, não tem pressão, a PIC está mostrando que está sem pressão e quando eu abro nem tem líquido, não pode ser por causa disso...
Eu insisti e ela viu que ele não se sentia bem. Eu brincava com ele e conseguia arracar boas risadas até, mas era só eu fechar minha boca para descansar que ele começava. Mas não era só reclamando, era se contorcendo... e a carinha dele...
No livro eu disse que um dos momentos que mas me marcou foi quando ele fez a primeira cirurgia de adenóide, mas esse momento foi substituído por essa cena que está em minha mente agora. Sua expressão de dor, o choro baixinho, o ai ai tá doendo mãe, quero ir pra casa... Ele nunca tinha dito isso. Deus, que horror lembrar disso!!!
Comecei a entrar em desespero. A hora do almoço estava passando e as meninas da UTI me pedindo para ir almoçar. É lógico que não tinha cabeça pra isso, mas eu até queria para poder sair um pouco de perto dele, pois tava difícil pra mim. Chamaram uma psicóloga para me auxiliar, mas sinceramente só serviu para ajudar a distrair o Lu um pouco mais pois pra mim, não contava a presença dela, meu negócio era com os médicos, aquela altura sentia ódio de todos eles. Queria xingá-los, dizer que não serviam pra nada. Porquê salvaram meu filho, pra sofrer tanto??!! Eles não deviam ter feito isso, eles não tem esse direito...
Tentei sair pra almoçar, mas quem disse que ele deixava. Quando eu soltava sua mão ele chorava. E eu não tinha coragem de deixá-lo sozinho. Minha sogra foi até lá pra ficar com ele. Fui almoçar. Mexi na comida, mas também não consegui ficar muito tempo longe dele, sabia que precisava de mim. Fui ao banheiro, lavei o rosto e respirei fundo.
Entrei e ele continuava na mesma. A médica já havia dado medicação pra dor, dipirona, mas não fez efeito nenhum. Então pedi pra dar outro e ela deu um mais forte. Eu conversava com ele, cantava pra que ele dormisse, mas ele sacudia a cabeça e falava coisas estranhas... ela me disse que ele estava delirando, que era pra eu não levar em conta...
Acho que foi nesse momento que pedi a Deus que o levasse embora. Quase 6 anos sofrendo!! Que é isso??? Não dá ele é só uma criança!!! E pensava: se é pra ele sofrer assim o resto da vida, prefiro que ele morra!!
Eu estava uma pilha, me sentia um zumbi, o sentimento de impotência me fazia sofrer mais ainda. Meu filho sofrendo tanto e eu não posso fazer nada! Me sentia um verme inútil, uma mãe incapaz...
Conversava com a médica, dizendo que não era certo salvar crianças tão prematuras para ficar sofrendo, e ela dizendo que concordava comigo mas que nem todos pensavam assim. Ela foi muito compreensiva comigo, me ouviu o tempo todo, foi muito atenciosa.
A cada minuto que passava ele ficava pior. Olhavam a PIC e estava tudo bem, abriam a válvula e não saía quase nada de líquor. Era uma icógnita pra nós. De onde vinha tanta dor?? Ele não conseguia dormir de forma alguma, nenhum analgésico fazia efeito e ele gemia cada vez mais alto. A médica resolveu então, dar morfina.
Ótimo, pensei eu, agora vai passar. Mas depois de 15 minutos ele ainda gemia, só que agora mais baixinho. Já era alguma coisa.
Eu, enquanto isso me revezava falando com a médica e ligando pro Fabio ir logo para o hospital. Nunca quis tanto a presença dele. A minha sogra ainda estava conosco na UTI, ela estava segurando sua mão enquanto eu tentava não enlouquecer. Não consegui nem chorar aquela tarde por mais que eu precisasse.
Eu já havia pedido a médica que avisasse o neurocirurgião dele sobre seu estado e cobrei uma posição ao que ela me disse que ele estava indo para o hospital e que iria operar novamente.
Depois eu continuo...
Até mais...






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